Boas Vindas !

Se procurar bem você acaba achando
Não a explicação (duvidosa) da vida.
Mas a poesia (inexplicável) da vida.


Carlos Drummond de Andrade.



Quem sou eu

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Rio Claro, SP, Brazil
TEREZA CRISTINA BATTISTON,brasileira, psicóloga graduada pela Puc de Campinas em 1974, CRP-06/2050. Gosto de música e poesia, amo Saude Mental. Este sentir é o que apresento aos que procuram encontrar-se emocional, afetiva e psicológicamente. Sou psicoterapeuta de adolescentes e familiares, adultos e casais.

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28/09/2015

IDAS  NESTA VIDA.


            O tempo ... quantos sonhos !
E olhando para trás, muitas páginas felizmente escritas. Senão, como teria sido? Viver sem objetivos, sem alegrias/tristezas, sem o trabalho de ter trabalho......?
De repente é hora de olhar para trás. No percurso, geralmente não nos damos esta pausa, porque estamos preocupados com o agora, o imediato, o....... E vem um pedido de ajuda, uma ida ao médico.....coisas corriqueiras, essas doenças sazonais ! Mas então, se são tão corriqueiras, como se explica que de repente,tenha ficado algo tão sério, que  uma parte muito grande de minha adolescência e vida, esteja se despedindo da vida?
              Olhe, minha Comadre... eu e você não tivemos filhos.
            E no entanto somos muito Comadres. Não entendo direito, essa fase horrível que teve início,há tão pouco tempo e isola você, minha amiga, de várias formas. Sempre conversamos, cantamos juntas, e agora tudo ficou tão diferente....Só uma coisa teima em bailar na minha cabeça: baila a idéia da sua partida prematura, cada dia mais próxima. E na recordação, chegam os acordes dos tantos bailes, que nossa adolescência ouviu... e os disparos de corações, quando aquele rapaz......aquêle! olhava para nossa mesa. Acordes de violões, vozes idênticas...iguaizinhas, que poderiam como descobrimos, para satisfação de nossa criatividade, enganar qualquer pessoa por telefone. Idênticas. Como será isso, é comum? Nunca  nos perguntamos, e agora, mesmo que eu comente o fato com você, não terei resposta.Só sei que vivemos um tempo prá lá de bonito. Bem Anos Dourados mesmo.
              Você está se despedindo da vida.
              Essa ficha não cai.
            Sei de sua firme crença espiritual. Sei de sua fé. Sei do que me pediu, anos atrás, para cantar se você morresse primeiro....  eu vou ficar mais sózinha, porque nem terei com quem partilhar o dia a dia, as partidas que ainda virão.... Fui tão confortada quando meu segundo irmão foi embora, você e seu marido-amigo-companheiro-tudoatodomomento ...estiveram alí, próximos, vigilantes....e agora você está acenando para os que aparentemente ficam.
            Vai ser terrível. Está sendo desde agora.
            Hoje você vai para outra cidade, de onde espero que volte à noite, no máximo. Que não fique internada, porque precisa da energia de seu canto, para manter tudo que sempre fez parte de você.
A gente vai se falando, Comadre.... minha amiga mais do que amiga. Beijo.

21/11/2011

DROGAS: POR QUE COMEÇAR?? ONDE TRATAR???





            É claro que a maioria das famílias, alerta os filhos sobre drogas.As  escolas falam a respeito, a TV faz campanhas, mas é desesperador ver que o quadro piora, dia a dia.Em nome de pretensa liberdade de arbítrio, muitas vezes os indivíduos na maioria adolescentes, são deixados para voltar às drogas, porque no momento em que, flagrados consumindo, declaram que não querem tratamento.Faço parte da minoria que considera muito discutível a luta anti-manicomial, do modo como foi feita. A única realidade que consigo enxergar, é que agora as famílias ficam com a responsabilidade quase que total, de cuidar dos dependentes químicos, dos doentes mentais que apresentam psicopatologias por vezes congênitas e/ou “ incuráveis”; não gosto deste termo, porque usado ele tira qualquer possibilidade que a pessoa tenha, de livrar-se do problema, já que tem uma “doença incurável”.

            É evidente que os hospitais psiquiátricos não poderiam continuar como eram. Constantemente víamos na TV,denúncias  de maus tratos, víamos pacientes sem roupas, dormindo no chão, enfim o quadro era muito grave.Mas o grande problema, é que ao invés de treinar adequadamente pessoal para lidar com esse tipo de pacientes, simplesmente lançou-se uma luta meio desvairada que, naturalmente, o governo abraçou! É claro, o que a luta anti-manicomial fez, a curto prazo, foi tirar do SUS a responsabilidade de tratar dos doentes mentais, e dos dependentes químicos.Atualmente as famílias precisam cuidar de seus doentes,mas quem disse que elas apresentam condições para isso? Claro, precisam se envolver no tratamento... mas não ficar com o problema  do qual não entendem nada e nem têm obrigação de entender, não são profissionais desta área ! ! Isso é um absurdo.Ora,  se um indivíduo tem problemas cardíacos, ele vai para um centro cardiológico. Se tem câncer, vai para um centro referencial  em oncologia. E o doente mental, vai para onde?E o dependente químico?Seja a droga lícita ou não, porque agora até mesmo o medicamento usado para déficit  de atenção, que auxilia no tratamento desse distúrbio, é moído e aspirado como se fosse cocaína.O efeito é mais rápido sobre o cérebro, segundo afirma a reportagem que li, em revista que trata de saúde em vários segmentos. Então, pode-se esperar que uma pessoa com a cabeça repleta de drogas, concorde em fazer um tratamento, para livrar-se disso? É muito difícil. Pode até existir concordância, mas vai até o momento de tomar uma atitude real, no sentido de posicionar-se para qualquer tratamento. A partir daí começam as desculpas, e quem sofre junto é a família. Com muita freqüência, sou criticada por colegas de profissão. Mas será que esses que lutam tanto pelo fim dos sanatórios, já entraram em algum deles? Será que já tiveram um caso de doença mental, ou na família, ou entre amigos, para avaliar a dificuldade que cerca todos os mais próximos, do paciente?Será que já tiveram um caso de dependência química, desses em que um filho, consegue sozinho, em pouquíssimo tempo, arruinar vida familiar, financeira e respeitabilidade que a família sempre teve, mas acaba comprometendo ao fazer grandes empréstimos para livrar o filho das dividas de drogas, ou para pagar as clínicas, que são um grande negócio atualmente?Como falou  alguém da administração de um desses lugares, em Atibaia: um negócio em expansão”.Será que tudo isso vai continuar, sem que nada aconteça?Quantas pessoas mais terão que morrer, por overdose?Claro que sanatórios não acabam com o problema, apenas desintoxicam.Mas “apenas desintoxicando” de maneira assistida, possibilitam que o dependente químico possa fazer suas escolhas mais acertadas, de cabeça limpa.Não é certo?Acredito mesmo que a conscientização seja o meio de fazer, com que o alcoólatra não tome o fatal primeiro gole.Acredito em AAA. Que o dependente de outras drogas, viva um dia de cada vez.Acredito em NA. Mas entendo que, com o organismo tomado por substâncias venenosas, que entorpecem o cérebro, que driblam a vontade e o raciocínio, ninguém tem condições de fazer escolhas acertadas.Também pela TV, em programa vespertino onde sempre comparece um psicólogo, os números passados foram assustadores: nos últimos vinte anos, cinqüenta hospitais psiquiátricos teriam sido fechados, no Brasil.Será que foi  isso mesmo?O que podem os profissionais da Saúde, que entendem a importância e responsabilidade de seu trabalho? Como permitimos que as coisas chegassem a esse ponto? Sinto muito que a situação esteja assim, e eu seja impotente para fazer frente a ela.



                                                                          Tereza Cristina Battiston.

                                                                          Psicóloga graduada pela Puc Camp/ 1974

                                                                          CRP – 06/2050

                                                                          F= (19) 3023-3934/ 9786-8663.

VIOLÊNCIA DO ESTUPRO


            Tornou-se lugar comum, notícias que denunciam estupros, seguidos ou não de mortes. Os noticiários vão perdendo a força emocional, para darem conta simplesmente, de dados estatísticos. Uma vida, com dores, alegrias, dificuldades grandes ou pequenas, ou só de facilidades, sei lá....de repente, uma pessoa chega, subjuga esta menina, adolescente ou mulher, e por sadismo puro, transforma sua vida num inferno que será presente em sua memória, enquanto ela viver.Ou subjuga um garotinho, um adolescente, um homem... o estupro não é prerrogativa feminina.Nem só de pessoas jovens. Pasmem mas existe relato de estupro, de uma senhora de oitenta e cinco anos ! ! !  nos arquivos do CAISM, na Unicamp.           

            Como mulher não consigo imaginar como, às custas de quanto esforço mental, psicoterapias e tratamentos outros, uma pessoa consegue se refazer da violência de um estupro.É uma invasão nojenta.Já ouvi também, quando o ato covarde foi cometido contra uma prostituta, “que estavam fazendo muito alarde, quando na verdade esta era a vida que ela levava”. Mas naquele caso, naquele momento, em relação aos homens presos pelo crime, ela havia dito não.Ela disse “NÃO”. “Não” é uma negativa, significa que não existe concordância com algo que é dito, planejado, executado, seja o ato que for. Não é não, e pronto. Uma prostituta tem o mesmo direito de qualquer outro ser humano, de negar-se a ter relacionamento sexual, com alguém que não queira. Neste caso, ela foi castigada com muita humilhação e dor. Vários rapazes se revezaram no ato monstruoso que quase a matou.

           Dizem que ao dar entrada no sistema penitenciário, um estuprador é castigado à moda dos que estão detidos. Isso é também lamentável, principalmente porque não  apagará as lembranças de quem sofreu violência sexual, juntamente com espancamento e outras torturas que lembram, em detalhes puro sadismo. Interessante: para muitas pessoas, o sado-masoquismo é tido como fonte de prazer.Mas é opção. Esta é a diferença fundamental.De uma pessoa estuprada foi retirado o direito de escolha.Todos os direitos.

           Mulheres casadas são estupradas, diariamente.E a pergunta que fica para mim, é pertinente ao  marido de cada vítima: como fica a cabeça desse homem, que pensa no que outros homens fizeram com sua mulher?Vamos admitir francamente, que no primeiro momento é claro que vem o socorro, correr com todos os procedimentos médicos e legais necessários.Mas depois, como ele sente o fato de que, além dele sua mulher (a esposa) foi vista, foi violentada, sentiu horrores e dores, mas foi de outros homens mesmo contra sua vontade! E ainda existe o fato de que os próprios maridos , podem ser os estupradores. Sim, os maridos. Não é porque os dois assinaram um papel, que isso torna o homem, senhor e proprietário da mulher. Se depois de uma discussão, por exemplo, o marido desejar sexo e diante da recusa da esposa ele forçar a relação, também aí teremos um estupro.

            A pergunta que fica no ar: por que o bicho-homem estupra, e os ditos animais irracionais, não fazem isso?



                                                    Tereza Cristina Battiston
                                                     Psicóloga – CRP – 06/2050/graduada pela Pontificia Universidade Católica de Campinas, em 1974.
                                                     F=(19) 3023-3934/ 9786-8663/
                                                   



         

19/07/2011

Bullying

"QUANDO UMA PIADA PERDE A GRAÇA?"
"R - QUANDO MAGOA ALGUÉM."


            Assim respondeu Luiz Fernando Veríssimo, autor d´O Analista de Bagé e mil outras páginas lidas, comentadas, elogiadas.Como êle é considerado um autor engraçado, a pergunta foi pertinente.
           Hoje o termo " bullying" designa ações que existem há décadas. Talvez desde sempre. Pessoas mais fortes, fazendo prevalecer força física contra as mais fracas.Pessoas mais extrovertidas, fazendo prevalecer a falta de inibição, sobre a timidez de outras. Apelidos bizarros, brincadeiras(de gosto duvidoso) repetidas, ameaças...tudo quanto promove vergonha, dor e fuga nas pessoas, caracteriza via de regra, o "bullying".O sofrimento das crianças vítimas dessa forma de atormentar o próximo, nas escolas, é terrível. Paralelamente ao que enfrenta no ambiente escolar, precisa muitas vezes esconder em casa o que se passa.Ainda existem  pais, que dizem aos filhos que tudo quanto acontece lá fora, como briga por exemplo, deve ser resolvido lá fora. Muitos são os pais que falam, que se o filho apanhar e não revidar, vai apanhar mais quando chegar em casa.Essa rotina é antiga.
            Como encarar o problema? Como detectar, quando algo vai mal?
            O pai e a mãe sabem geralmente, quais as atitudes costumeiras dos filhos. Quando algo sai do habitual, é bom chamar para uma conversa. Estamos vivendo num tempo muito estranho, diferente de tudo quanto poderíamos prever, há não muito tempo atrás. Parece que muitos fatores escapam ao controle humano, isso é amedrontador. Quando os pais têm como tarefa, a educação de seus filhos,crianças ou adolescentes, a atenção precisa ser redobrada.São muitos os percalços, que hoje os menores precisam enfrentar.Se o filho(a) chega cabisbaixo, ou com a roupa suja como quem brigou, ou com algum machucado, é hora sim de conversar.Cuidadosamente, com jeito, saber o que está havendo no ambiente escolar.Ou na vizinhança,ou a caminho da escola...
            Se os fatos ocorrem na escola, a criança pode chegar à evitação de mais situações dolorosas, querendo faltar às aulas.Será que a professora está percebendo o que acontece?Vamos nos lembrar, de que no Brasil as escolas estaduais podem ter  até 40 alunos.É muita gente, não? Será que a professora dá conta de perceber as individualidades?É um caso para se pensar......
            E a diretora, será que já foi avisada de que um grupo na escola que dirige, está praticando "bullying"? E o que se esconde, sorrateiramente, atrás dessa prática cruel?Esta pergunta também precisa ser feita, e o alerta para os pais que notam o filho chegar da escola relatando, triunfantemente, como o amiguinho ficou envergonhado, "que mané, precisavam ver"...Essa criança que tem os olhos brilhantes para relatar uma maldade, também precisa ser olhada cuidadosamente.A satisfação que tem ao praticar atos cruéis, não pode ser considerada como algo "normal", dentro do que se considera parâmetros de normalidade em comportamente e saude mental.
            Tanto quanto os pais da vítima de "bullying" precisarão de ajuda profissional, para que sua criança ou adolescente encare e supere o problema, evitando transtornos posteriores, os pais da criança ou adolescente que pratica o "bullying" terão necessidade de percorrer o mesmo caminho.Talvez seja bem mais dolorido saber que o filho faz sofrer, do que saber que foi alvo de atos que o fizeram sofrer.É  quase sempre com perplexidade, que os pais recebem a notícia de que o filho fez algo maldoso, deliberadamente.Com a intenção pura e simples, de provocar sofrimento em outrem, achando graça, orgulhando-se do feito.
            Existem atitudes que parecem inexplicáveis nos seres humanos.Mas sempre têm quando não um agente motivador,emergente, um indicativo do caminho mais provável a ser seguido, para tentar ... pelo menos tentar, minimizar efeitos posteriores.Tôda ajuda profissional deve ser procurada sem hesitação, sem pudores.Algumas situações, como esta por exemplo, são mais urgentes que longos tempos de planejamentos familiares.

                                                               Tereza Cristina Battiston
                                                                Julho/2011
           

24/06/2011

CASAMENTO FOREVER ! !

Após tempo de ausencia, estou dando olhadinha no meu blog.Outra vez, o fato já observado: pelo Feedjit o assunto procurado práticamente em 100% dos acessos, é relacionado a " Sinais de final de casamento". Ou "O casamento acabou...e agora?"
Fico me perguntando, se as pessoas sentem tanta carência afetiva, que não vislumbram possibilidades de vida plena, sem alguém do lado o tempo todo (tipo casamento, não simplesmente sair de vez em quando, algo assim). Será que existe diferença entre quantidade de acessos de homens e mulheres?
As mulheres sentem mais solidão que os homens?
Os homens, morando sózinhos conseguem dar conta de viver bem?
O que forma essa camada de vazio que do lado de cá da tela do computador, sinto boiando à volta das pessoas que procuram o Blog?
Acompanho alguns blogs de artesanato, porque gosto de fazer trabalhos manuais desde sempre. O "tricozinhando" de uma amiga artesã do sul, tem sido um caminho muito usado, para visitantes novos, e o interesse é pelo mesmo assunto.
Gostaria de ter alguma opinião, comentário, dessas pessoas que chegam aqui, lêem o que escrevo. Qual será o pensamento de cada uma?Por que  tanto interesse em sinais de desgaste de relacionamento?Tudo bem, existem coisas que, no meu modo de pensar e sentir, jamais são esquecidas.O primeiro toque de mãos, o primeiro beijo, o envolvimento maluco que nos rouba a razão, quando o primeiro namorado aparece e tudo é  novo.De repente, hormônios enlouquecidos e a primeira relação sexual; que afinal, é parte de uma iniciação, porque nessa primeira vez, pode-se sentir tantas coisas, que nem dá para pensar direito.Prazer é mais tarde, com mais calma.Apesar de tudo que se inicia ser maravilhoso, seja na idade que for, pode acabar.Não está determinado de modo algum, que seres humanos são como as araras, que acasalam e jamais se deixam.Exemplo bonito de fidelidade, não?Mas outras pessoas chegam às nossas vidas, e podem ser maravilhosas também.Por que tantas preocupações com "casamento acabou....e agora?", se outros relacionamentos podem perfeitamente surgir, com surpresas agradáveis?Claro, a gente passa por momentos de solidão, chora, sente tristeza, depois levanta a cabeça; primeiro por necessidade, depois por decisão de ir adiante.E vai lavar o rosto, entra num banho perfumado que lava a pele e leva os restos de dores.Com o passar do pente nos cabelos molhados, eliminamos simbólicamente de nossos pensamentos, as lembranças perturbadoras, porque realmente é vida que segue.Cada nova hora é uma interrogação, mas a curiosidade move o mundo.Isso é maravilhoso.Faz com que tudo se mova, a vida é dinâmica e nós seguimos o movimento, indo em frente.
Quando coloco uma nova postagem aqui, falo de teorias psicológicas do modo que as entendi e tento transmitir.Se concordei com a idéia de uma amiga, de fazer um blog, foi com essa intenção.Mas hoje estou escrevendo minhas indagações.Bem que gostaria de ter respostas a algumas delas, pelo menos.
É isso.

Tereza Cristina Battiston, em 24 de Junho de 2011.

26/04/2011

QUANDO A COMIDA VIRA UM PROBLEMÃO ! !

Houve um tempo, no qual os pais de filhos adolescentes podiam dormir com mais tranquilidade, sem a menor duvida. Atualmente o que se ouve e se vê, não lhes deixa muita margem para que quando os filhos se ausentam, possam ficar descansados. E no entanto, apesar dos muitos problemas fora de cada casa, é dentro dos lares que podem se instalar, sorrateiramente, doenças que são graves; bem mais graves do que se pode supor em primeiro relance. Estou falando de anorexia e bulimia.

Acredito que a maioria dos pais, já ouviu falar dessa "mania de magreza"(sic) que pode de repente, surgir na própria filha. A anorexia não é algo novo. Tem muito tempo de existencia, e não chegou aos nossos dias unica e exclusivamente, por exemplo das "top models" que ostentam mais ossos que carne e músculos, enquanto desfilam.E nem se trata de algo apenas estético, ou de mero modismo. Pode existir muito de auto-estima arranhada, propiciando sentimentos de menos valia, que fazem da adolescente imatura, um campo propício para idéias destruidoras.Mas o que existe de real em tudo isso? Anorexia é uma doença séria, e pode matar.

Se de início, a adolescente ( mais comum que sejam meninas, mas pode ser "o" adolescente) tem a impressão de estar destoando do grupo na escola, e se acha muito gorda, associa essas duas idéias, mesmo que erradas, e começa geralmente com determinação, a tomar providências para não ser "gorda" (mesmo não sendo) e nem ridicularizada. Come bem menos, cada vez menos. Aos poucos essa dieta absurda dá resultados, e ela persevera; atenção senhores pais, a internet está repleta de sites, que ensinam truques para enganar os pais; para que pensem que as filhas estão comendo.Existe uma verdadeira rede de mútuo auxílio na net, umas dando forças para as outras, incentivando, além de cada uma desenvolver seus próprios métodos, para que os pais imaginem nos primeiros momentos, que ela está se alimentando; uma das táticas, é fazer as refeições longe da família. Infelizmente hoje isso não é tão dificil, pelo ritmo de vida que as pessoas levam. Mas se as refeições são em conjunto, a comida pode ser cuidadosamente partida em pedaços pequenos, bem pequenos, espalhados pelo prato, dando a falsa impressão de quantidade.Cada partícula de gordura do bife, por exemplo, é retirada, por ser um veneno calórico. Se no começo a adolescente rejeita alimentação normal e saudável, por sua vontade, chega a hora em que não consegue mesmo, ingerir muita coisa, passando a comer água e biscoitos, por exemplo.Se for obrigada a sair desse "no food"(jejum que é auto-imposto) e comer, em seguida tentará colocar tudo para fora, vomitar. E tem ainda o amplo uso de diuréticos e laxantes. Seu organismo rejeita qualquer outra quantidade de alimento. Sua menstruação começa a falhar, porque o funcionamento de suas glândulas ficou deficitário, pode haver queda de cabelos e pelos, de seu corpo. A pele perde o brilho, é comum que ocorram desmaios. Se acaso isso tudo estiver parecendo familiar , é porque a anorexia ( que as adolescentes anoréxicas chamam afetuosamente de "ana") e/ou a bulimia ("mia", para as íntimas) anda rondando, ou se instalou em sua familia. Então, será preciso correr. Em muitos casos é necessária a internação da adolescente, mas depois é que terá início o verdadeiro trabalho de reabilitação; volta à vida saudável e real.

Este é um assunto muito extenso, mas o que deve ficar bem claro, é o perigo que as adolescentes correm, quando se tornam vítimas de anorexia ou bulimia. Elas não acreditam que estejam doentes, mas que escolheram "um estilo de vida" diferente, que as deixa felizes.O tratamento desses transtornos alimentares, solicita sempre a a interação de vários profissionais: médico, psicólogo e nutricionista. A técnica mais utilizada para esses transtornos (e outros) é a TCC, Tecnica Cognitiva Comportamental, que foca mais diretamente o problema, mesmo levando em consideração todo o histórico de vida da cliente; aos pais, cabe ficar em alerta, como foi dito existe muito para se dizer, sobre transtornos alimentares, mas para fechar diagnóstico, alguns dos sinais foram citados, como intuito de servirem de alerta e orientação para os familiares.

Não apresentando a menor intenção de ser alarmista, os dados aqui são fornecidos, porque trata-se de algo realmente grave, e na dúvida sobre existir ou não o problema, o indicado é procurar sem demora, ajuda profissional.